• Danton Corrêa • Cirurgia Oncológica • Tipos de Câncer •
Alguns Tipos de Câncer:

 Câncer de Esôfago

 Câncer de Estômago

 Câncer do Intestino Delgado

 Câncer do Cólon e Reto

 Câncer de Fígado

 Tumores Benignos do Fígado

 Câncer do Pâncreas

 Melanoma

 Sarcoma






Câncer de colon e reto

Anatomia e função

O intestino grosso é a parte final do intestino, onde o bolo alimentar chega após a maior parte dos nutrientes já terem sido absorvidas no intestino delgado. Lá são absorvidos água e eletrólitos e são formadas as fezes, com consistência sólida. O cólon possui quatro segmentos.

O cólon ascendente, o cólon transverso, cólon descendente e o cólon sigmóide. Após o sigmóide, começa o reto, que termina no canal anal. 

   

 
Tipos de Câncer

A maioria dos tumores que se originam no colon e retos  se iniciam em pólipos, que são formações não cancerosas que podem surgir no revestimento interno do intestino grosso com o envelhecimento (pólipos adenomatosos).

Estes pólipos podem se transformar e se tornar cancerosos. São então chamados de adenocarcinomas, pois se originam da camada que recobre internamente o intestino grosso. Outros tipos de tumores que podem aparecer no cólon ou reto são os tumores carcinóides, tumores do estroma gastrointestinal (GIST) e linfomas.

Sintomas mais comuns

O câncer de intestino grosso no início pode não apresentar sintomas. À medida que o tumor cresce, o paciente pode apresentar alterações do hábito intestinal (diarréia ou constipação), alterações no calibre das fezes (fezes em fita), dor abdominal tipo cólica, sangramento intestinal e anemia.

O paciente pode apresentar também perda de peso não intencional. Por vezes, o paciente já se apresenta com casos mais avançados, onde o intestino encontra-se obstruído ou perfurado, constituindo-se em uma emergência cirúrgica.

Diagnóstico e estadiamento

O diagnóstico é feito por colonoscopia. A colonoscopia é um exame onde um aparelho semelhante a uma mangueira e que possui uma câmera de vídeo e um aspirador na sua extremidade (colonoscópio) é introduzido pelo ânus do paciente e progredido pelo intestino grosso e parte final do intestino delgado.

O médico é capaz de visualizar o interior do intestino através de um monitor de vídeo e assim encontrar eventuais alterações. Antes do exame, o intestino precisa ser limpo através do uso de laxantes.

Caso encontre alguma anormalidade, o médico é capaz de retirar um pequeno pedaço da área afetada para que possa ser examinado (biópsia). Se a alteração for um pólipo, este muitas vezes pode ser retirado completamente (polipectomia). Através da análise deste fragmento ou do pólipo pelo médico patologista, é possível saber se trata-se de uma inflamação, pólipo benigno ou câncer, e qual o tipo.
 
Após o diagnóstico, exames são realizados para avaliar a extensão da doença (Raio X de tórax e tomografia computadorizada de abdome superior, marcadores tumorais, principalmente. Outros exames são realizados de acordo com a sintomatologia do paciente. O PET CT pode ser útil).

Tratamento

Se o tumor for localizado, e o paciente não apresentar outras alterações que impeçam uma cirurgia (doença cardíaca ou pulmonar grave, perda de peso e desnutrição importante), o tratamento consiste na retirada cirúrgica  do segmento de intestino doente, com margens de intestino normal como segurança, em conjunto com os linfonodos (gânglios linfáticos) que drenam a região (colectomia). É realizada então uma emenda entre as extremidades do intestino que ficou (chamada anastomose).

Esta “costura” pode ser realizada de forma manual ou através de grampeadores mecânicos. Antes da cirurgia, o intestino precisa ser “preparado”, através do uso de laxantes e antibióticos. Quando o tumor é no reto e se encontra muito próximo ao esfíncter anal, pode ser necessário iniciar o tratamento com quimioterapia e radioterapia para reduzir o tamanho do tumor.

Como a margem de segurança de intestino normal que precisa ser retirada com a doença é de no mínimo 1-2 cm, esta estratégia pode permitir a realização de uma cirurgia menos agressiva, com preservação do aparelho esfincteriano. Neste caso, a realização de uma ileostomia temporária para proteção da costura feita entre o intestino e o final do reto é necessária.

A ileostomia é uma cirurgia onde a parte final do intestino delgado chamada íleo é exteriorizada através de um orifício criado na parede abdominal. O intestino é aberto e costurado na pele. A pessoa passa então a evacuar por este segmento, através do abdome.
 
Uma bolsa especial é colada na pele em torno do intestino exteriorizado para coleta das fezes. Após a cicatrização da “emenda” entre o intestino grosso e o reto, esta cirurgia é desfeita e o paciente volta a evacuar pelo ânus (em média 45 dias após a primeira cirurgia).

Quando margens livres não podem ser obtidas ou quando já existe invasão direta do esfíncter anal, este tem que ser retirado em conjunto com o reto (amputação abdominoperineal do reto – cirurgia de Miles). Neste caso, é necessária a criação de uma colostomia definitiva. A colostomia é igual a uma ileostomia, só que o segmento exteriorizado é o colon.

A cirurgia pode ser realizada por via aberta ou videolaparoscópica (cirurgia realizada através de pequenos orifícios na parede abdominal com o auxílio de uma câmera de vídeo e instrumentos especiais). Esta segunda alternativa é menos agressiva, provoca menos dor e permite uma recuperação mais rápida.

No entanto, para tumores volumosos ou invadindo estruturas adjacentes a via aberta ainda é superior. No caso de invasão de órgãos vizinhos, estes podem ser retirados “em bloco” com o intestino, ainda oferecendo possibilidade de cura para o paciente. O paciente normalmente inicia dieta por boca no 2o ou 3o dia pós-operatório (tão logo o intestino comece a movimentar-se), e tem alta normalmente até o 5o – 7o  dia.

A realização de quimioterapia após a cirurgia depende principalmente do tipo de tumor e da presença ou não de gânglios linfáticos comprometidos. Quando o tumor é de reto, a radioterapia pode ser associada para diminuir a chance do tumor voltar no local.

Em pacientes que se apresentam com o intestino obstruído ou perfurado, normalmente é realizada uma colostomia após a retirada do tumor, já que uma “emenda”(anastomose) entre as duas extremidades de intestino que ficou não é segura nestas condições.

No caso de o paciente apresentar doença disseminada para outros órgãos (principalmente para fígado e pulmões), o tratamento é realizado com quimioterapia.

Se o paciente apresentar-se assintomático, a retirada do intestino doente pode ser adiada até um momento mais apropriado, já que o início do tratamento com quimioterapia tem prioridade e a cirurgia atrasaria o seu início.

Pacientes que apresentam metástases exclusivamente hepáticas podem ser candidatos a cirurgia para retirada das mesmas, ainda com intenção de cura (ver câncer de fígado – metástases).

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