• Danton Corrêa • Cirurgia Oncológica • Tipos de Câncer •
Alguns Tipos de Câncer:

 Câncer de Esôfago

 Câncer de Estômago

 Câncer do Intestino Delgado

 Câncer do Cólon e Reto

 Câncer de Fígado

 Tumores Benignos do Fígado

 Câncer do Pâncreas

 Melanoma

 Sarcoma




Câncer de Estômago

Anatomia e função


O estômago é a parte do tubo digestivo que fica entre o esôfago e o intestino delgado. É uma dilatação sacular do tubo digestivo, responsável por parte da digestão. Ali é produzido o suco gástrico, que é misturado com o bolo alimentar para dar início à decomposição dos alimentos em elementos mais simples que possam ser absorvidos pelo intestino.

Os alimentos sólidos são transformados em líquidos. Ele é dividido em 3 partes, o fundo, o corpo e o antro. A junção entre o esôfago e o estômago é chamada de “cárdia”. Existe uma válvula funcional nesta região, que impede o retorno dos alimentos do estômago para o esôfago. Na junção entre o estômago e o duodeno (a primeira parte do intestino delgado), também existe uma válvula que  controla o esvaziamento gástrico, chamada “piloro”.

     
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Tipos de Câncer

Quando um câncer desenvolve-se neste órgão, na maior parte das vezes é do tipo adenocarcinoma. Outros tipos menos comuns são o linfoma e o GIST (gastrointestinal stromal tumor).

Sintomas mais comuns

A pessoa que tem câncer de estômago inicialmente pode não apresentar sintoma algum. À medida que o tumor cresce e dependendo da sua localização pode apresentar sintomas de dor, queimação, refluxo, sangramento, saciedade precoce e perda de peso. Se o tumor obstruir a passagem de alimentos pelo estômago, o paciente pode apresentar vômitos.

Diagnóstico e estadiamento

A pessoa descobre que está com câncer de estômago ao realizar um exame chamado endoscopia digestiva alta. Um aparelho semelhante a uma mangueira e que possui uma câmera de vídeo e um aspirador na sua extremidade (endoscópio) é introduzido pela boca do paciente e progredido através do esôfago, estômago e duodeno.

O médico é capaz de encontrar alterações no revestimento destes órgãos e retirar um pequeno pedaço da área afetada para que possa ser examinado (biópsia). Através da análise deste fragmento pelo médico patologista, é possível saber se trata-se de uma inflamação ou câncer, e qual o tipo. Após o diagnóstico, exames são realizados para avaliar a extensão da doença (Raio X de tórax e tomografia computadorizada de abdome superior, principalmente. Outros exames são solicitados de acordo com a sintomatologia do paciente. O PET CT pode ser necessário).


   
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Tratamento

Se o tumor for localizado, não invadir estruturas vizinhas e o paciente não apresentar outras alterações que impeçam uma cirurgia (doença cardíaca ou pulmonar grave, perda de peso e desnutrição importante), o tratamento consiste na retirada cirúrgica total ou parcial do estômago, de um avental de gordura preso ao estômago chamado “epiplon” ou “omento” e dos linfonodos (gânglios linfáticos) ao seu redor.

Estes linfonodos também são encontrados ao redor das artérias que levam sangue até o estômago, fígado e baço. Como podem estar afetados pela doença, devem também ser retirados (linfadenectomia radical D2). A extensão de estômago que precisa se removida depende da localização do tumor. Tumores no antro normalmente são tratados com retirada parcial do estômago (gastrectomia parcial ou subtotal).

Os de corpo, fundo e cárdia requerem a retirada completa do órgão (gastrectomia total). Se houver invasão direta de outros órgãos ao redor do estômago (fígado, pâncreas e  baço, principalmente) é possível retirar a parte acometida destes órgãos “em bloco” com o estômago, ainda oferecendo oportunidade de cura.

Faz-se então uma emenda entre o que restou do estômago e o intestino delgado (gastrectomia subtotal) ou entre o esôfago e o intestino delgado (gastrectomia total). A via de acesso ao estômago pode ser feita através de videolaparoscopia (cirurgia realizada através de pequenos orifícios com o auxílio de uma câmera de vídeo e instrumentos especiais) ou cirurgia aberta. A primeira opção parece ser menos agressiva e permite uma recuperação mais rápida, mas a retirada de gânglios normalmente não é tão minuciosa.

Após o término do procedimento, é colocado um dreno próximo a área em que foi feita a emenda e no território onde os gânglios foram retirados. Opcionalmente, pode ser colocada uma sonda para alimentação precoce.

Caso a sonda seja colocada, dieta pode ser administrada já no 2o dia após a cirurgia. Se não, a alimentação por boca pode ser iniciada a partir do 4o ou 5o dia para gastrectomia subtotal ou a partir do 7o ao 10o  dia para gastrectomia total. Inicialmente o paciente começa ingerindo alimentos líquidos, progredindo para alimentos pastosos e sólidos. Devido à perda da capacidade de armazenamento do estômago, a quantidade de alimentos  que o paciente é capaz de ingerir não é mais a mesma.

Geralmente é necessária uma adaptação do hábito alimentar, onde menores porções de comida são ingeridas mais freqüentemente. Dependendo do grau de invasão do tumor na parede do estômago e do número de linfonodos (gânglios) comprometidos, pode-se indicar o uso de radioterapia e quimioterapia associadas para aumentar a chance de cura (tratamento adjuvante).

O estudo que mostrou benefício neste tipo de abordagem incluiu pacientes que fizeram retiradas de gânglios de forma irregular, não se sabendo ao certo se pacientes que fizeram uma retirada  ganglionar radical teriam o mesmo benefício.

Se o paciente no momento do diagnóstico apresentar doença disseminada para outros órgãos, mas, não tiver sintomas, o tratamento é realizado somente com quimioterapia. Caso seja sintomático, se possuir boas condições clínicas e as condições locais sejam adequadas, pode ser realizada a gastrectomia paliativa.

Se localmente a invasão de estruturas contíguas impedir a ressecção e o estômago estiver obstruído, pode se fazer uma derivação (gastroenteroanastomose), onde um segmento de intestino delgado é costurado no estômago acima do ponto de obstrução, criando uma via alternativa para a passagem de comida. Se o problema for sangramento, a radioterapia pode ser utilizada para estanca-lo.

     
     
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